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Tudo o que você queria saber sobre o Ubuntu 12.10

25/05/2012 1 comentário

O primeiro Ubuntu Developer Summit desse ano chegou ao fim e, com ele, muitas novidades para o Ubuntu vieram à tona. Para quem não sabe, o UDS é um evento que ocorre a cada 6 meses onde desenvolvedores e parceiros do Ubuntu se juntam para debater e definir o futuro da distribuição mais utilizada no mundo.

Já sabemos que o Ubuntu 12.10 receberá novos ícones e uma melhoria no tema visual e na tipografia, mas 5 dias de evento depois, a Canonical tem muitas novidades a adicionar a sua TODO list. Claro que devido a natureza do desenvolvimento de softwares, nem tudo o que foi planejado no evento verá a luz do dia. O Ubuntu 12.04 por exemplo, deveria ter vindo com um novo tema de som, mas acabou chegando sem ele.

Mas deixando o pessimismo de lado, o Ubuntu Developer Summit trouxe novidades bastante interessantes, que talvez façam do Ubuntu 12.10 uma versão ainda melhor do que a 12.04, considerada por muitos a melhor versão do Ubuntu dos últimos tempos. Vamos dar uma conferida? (:

As expectativas da Canonical para o Ubuntu

Quem deu início ao Ubuntu Developer Summit desse ano foi Jono Bacon, gerente da comunidade Ubuntu na Canonical. Logo após foi a vez de Mark Shuttleworth, fundador do Ubuntu, entrar em cena e fazer uma apresentação de aproximadamente 40 minutos.

Tio Mark comentou sobre a qualidade do Ubuntu e como a distribuição vem crescendo rapidamente e se destacando na mídia. Nessa apresentação conhecemos a primeira novidade do ciclo Quantal:  o VGA Switch, um aparelho que serve para conectar mais de um monitor em uma mesma saída VGA, o que o torna ideal para testar a conexão de um monitor externo ao sistema ou projetores de mídia. O VGA Switch também é o primeiro projeto de open hardware da Canonical e é tão pequeno que cabe no seu bolso.

VGA Switch: primeiro projeto open hardware da Canonical

VGA Switch: primeiro projeto open hardware da Canonical. Bonito, não? 🙂

Logo após, Chris Kenyon fez uma breve apresentação sobre OEMs onde revelou que a Canonical planeja ter o Ubuntu em 5% dos computadores do mundo até o próximo ano, e que foram vendidos 10 milhões de computadores com Ubuntu no ano passado.

Também foram reveladas algumas informações para que os 200 milhões de usuários Ubuntu esperados por  Mark Shuttleworth sejam atigindos, como a abertura de um escritório em Beijing e a volta de computadores rodando Ubuntu na Best Buy, uma cadeia de lojas especializadas em produtos eletrônicos.

No evento também foi anunciada uma parceria entre a Eletronic Arts e a Canonical, que promete trazer muitos frutos para o lado laranja da força.

Novidades previstas para o Ubuntu 12.10

Desktop, TV e softwares padrões do Ubuntu

No quesito desktop, as mudanças do Ubuntu 12.10 vão muito além de um novo pacote de ícones, um novo tema visual e melhorias na tipografia.

Uma notícia que vem gerando bastante discussão nos últimas dias, é que o Ubuntu 12.10 não trará o Unity 2D instalado por padrão, trazendo uma implementação do driver LLVMpipe. Dessa forma, mesmo que sua placa de vídeo não tenha aceleração 3D, o processamento gráfico ficará a cargo do seu processador, permitindo que você use o Unity sem nenhum problema.

 

A Ubuntu TV, a TV open source da Canonical, também deixará o Unity 2D de lado. O projeto será portado para o Unity e uma maior gama de lentes será adicionada ao projeto. Também houve a discussão sobre a utilização de um repositório PPA, mas não chegou-se a uma conclusão sobre o assunto.

O novo tema sonoro do Ubuntu, que deveria ter saído junto com o Ubuntu 12.04, está sendo terminado e deverá sair junto com o Ubuntu 12.10. Em uma recente entrevista,  Mark Shuttleworth disse que o tema sonoro não saiu junto com a versão LTS do sistema operacional porque não estava pronto, mas no Ubuntu Developer Summit foi garantido que o tema verá a luz do dia.

O Jockey, software que faz a instalação de drivers de terceiros no Ubuntu, também receberá melhorias. Agora será possível fazer a instalação de drivers de impressoras e modens também, além da instalação de drivers open source (caso você tenha cansado dos proprietários). Além disso, ele deverá ser integrado a tela de Configurações do sistema.

Tanto o Unity quanto o HUD receberão melhorias nesse ciclo, e mais opções de customizações são esperadas. Além disso, o LibreOffice virá com o menu global ativo por padrão, fazendo com que o software se integre melhor ao sistema operacional laranja. E já que estamos falando no menu, os usuários que não gostam do mesmo ficará felizes em saber que agora será possível desativá-lo nas opções de aparência.

 

O Gnome 3.6 será usado no Ubuntu 12.10, e a Canonical fará um fork do Gnome Control Center dando vida ao Ubuntu Control Center.  Os odiadores do Unity ficarão felizes em saber que o Ubuntu 12.10 terá uma “versão Gnome”, apesar de ainda não ter um nome definido. Essa versão trará o Gnome Shell instalado por padrão, além de softwares como o Gnome Boxes, Abiword/Gnumeric ao invés do LibreOffice, suporte ao Gnome Clássico, o tema Adwaita e outras alterações. É claro que o foco da empresa continua sendo o Unity, mas é interessante notar que a Canonical está dando uma opção aos seus usuários.

 

Outro software que receberá melhorias é o Ubiquity, software que cuida da instalação do Ubuntu. Além da já costumeira melhoria na performance e correção de bugs, o software não oferecerá mais a opção de fazer a importação de suas configurações do Windows no ato da instalação. Além disso, ele receberá os recursos disponíveis na versão alternate, o que claro, significa que ela não será mais uma opção de download.

Os aplicativos Firefox e Thunderbird poderão, finalmente, receber o visual da sobreposição de barras de rolagens padrão do Unity.

Mudanças técnicas

Talvez a maior mudança seja a implementação do Wayland, um servidor gráfico ainda pouco conhecido mas que oferece uma melhor experiência em desempenho e qualidade visual do que o X, o servidor gráfico padrão do Linux a anos. Porém, a Canonical terá que enfrentar um grande problema: tanto a ATI como a Nvidia não dão suporte ao Wayland, então para usar o Wayland no Ubuntu 12.10, é provável que você terá que usar os drivers open source, caso contrário, voltará ao velho de guerra X. A empresa já está em contato com a ATI e a Nvidia para que ambas deem suporte ao Wayland.

 

O Kernel utilizado como base para o Kernel Ubuntu será o Kernel Linux 3.5, com a possibilidade do Kernel Linux 3.6 ser usado, dependendo do tempo disponível. Há também a possibilidade do Kernel Linux 3.6 ser disponibilizado em uma atualização do Ubuntu 12.10.

O sistema de arquivos Btrfs não será utilizado por padrão, fazendo com que o ext4 continue sendo o padrão do sistema operacional laranja. É possível que ele seja usado como padrão no Ubuntu 13.04 ou 13.10.

O Compiz não irá mais usar o OpenGL 2, sendo portado para o OpenGL ES, um gerenciador de janelas criado com foco no mundo mobile. Isso parece deixar mais claro o interesse da empresa em fazer o Ubuntu Phone ou Ubuntu Tablet, algo que esperamos, será anunciado em breve.

O tempo de boot e de carregamento dos softwares deverá ser diminuído, algo que vem acontecendo a cada versão do Ubuntu (apesar do Ubuntu 11.10 ter ido pelo caminho contrário).

Há também a possibilidade do time de desenvolvimento usar o compilador Mono AOT, o que deverá reduzir o tempo de carregamento dos softwares, melhorar ainda mais o gerenciamento de memória e trazer um boost gigantesco em performance, de acordo com Michael Larabel, do blog Phoronix. Além disso, ainda no quesito performance, a versão 3 do Python deve ser usada.

Considerações finais

O Ubuntu Developer Summit deste ano foi um sucesso e as novidades para o Ubuntu 12.10 são animadoras. A cada dia que passa o Ubuntu se torna um sistema operacional ainda mais completo, e a cada versão a Canonical consegue me surpreender. Apesar disso, ainda acho que o ciclo de desenvolvimento deveria ser de um ano e não de 6 meses. Sei que o usuário não é obrigado a fazer a atualização, mas o ciclo é curto e logo após o lançamento de uma versão, inúmeras notícias sobre a próxima pipocam na internet. Quem sabe esse “bug” não seja corrigido em uma próxima versão?

Para quem quiser acompanhar algumas sessões do Ubuntu Developer Summit, os vídeos gravados no evento estão disponíveis no canal do YouTube dos contribuidores do Ubuntu. E para quem quiser uma experiência mais completa, há também um diretório com todas as sessões gravadas em áudio, vale a pena conferir.

O que acharam das novidades? Qual delas vocês gostaram mais e qual não gostaram? Irão usar o Ubuntu 12.10 ou o Ubuntu 12.04 será seu companheiro por mais tempo? Comentem e deixem suas opiniões!

Fonte

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Categorias:Linux, Ubuntu